quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Esqueci-me de que tinha formas e feições. As tuas mãos desenharam novamente os traços do meu rosto, quando, delicadamente percorreram a minha face. Descobriram a sensualidade do meu corpo quando o desejaram tremeluzente.
Conheces-te a minha anatomia nua,
sem segredos...
Perdemo-nos os dois nesta insanidade que é o amor. A minha boca queria dizer-te muitas palavras mas todas elas se perderam na complexidade das emoções que sentia em mim.
A noite era silenciosa e tu agarraste-me para que eu me sentisse livre.
No teu olhar, eu leio versos antigos e esquecidos.
Ia conquistando o meu equilíbrio enquanto caminhava nesta linha paralela.
As nossas virtudes levaram-nos ao charme do pecado e sentimos o gosto proibido que nos fez vivos.
Encontro-te em horizontes que se despedem mas que não se esquecem...
Somos duas sombras sem luz e o nosso corpo quebra-se na noite desolada.
As ruas dos amantes que não encontram um quarto para amar são a alma desta cidade.
Todos os poemas se gastaram...
Todas as palavras secaram.
Sou feita de saudade. Sou filha da alma do mundo e a minha melhor personagem é muda. Então, vem comigo esta noite e vamos ficar os dois em silêncio.
O brilho das estrelas está a apagar-se com o vento e todos os pensamentos estão a morder-me por dentro. Não consigo parar de pensar!
A minha alma está pálida e eu estou a diluir-me.
Lembro-me do som dos teus passos, da tua respiração apressada.
Estou num principio de lágrimas.
Sinto esta doente sensação que é amar...

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