sábado, 21 de agosto de 2010
Viver
Não importa o número de anos que vivas, importa sim a intensidade com que os vais sentir. Quando partires para sempre, quando o fim do teu reflexo chegar lembra-te que o teu sorriso ficará preso no tempo como uma estrela aprisionada na noite do céu.
Estás a pisar um chão que é mais rápido que a tua sombra, que é mais veloz que a luz. Tu e eu e todos somos luz que não se vê mas se sente. Luz que ofusca no invisível de nós. Luz que somos nós. Ela vive em ti, ela vive no espírito da noite, vive na água, no ar que respiras.
O destino assiste a tudo o que nós vemos, a tudo que nós fazemos, seja dentro da água, seja dentro de ti, assiste a verdade do pensamento, assiste á verdade do sonho.
Daqui a pouco tempo o teu mundo desaparecerá. O brilho dos olhos do teus amigos, as palavras que ecoaram na vida da noite, os abraços que se agarraram sobre o azul do céu, os amores que deste a conhecer ás estrelas, as paixões que agarras-te na vida. Tudo acabará, tudo terá um fim. A tua resposta está no vento. Nunca saberás decifrar aquilo que ele te diz.
Olha para dentro de ti e escuta as palavras que o teu coração te grita. Segue-te a ti mesmo, segue aqueles que amas, aqueles que fizeram de ti aquilo que hoje és, essa é a tua única verdade.
As tuas lágrimas marcaram o teu rosto, marcaram a tua história, serão a mágoa que tiveste de sentir e viver para perceberes que tudo isto é uma passagem em que aprendes a ser forte.
Quando morreres agradece tudo isto. Agradece até os momentos em que sofreste, agradece o teu sorriso, agradece ao espírito de vida. E hoje só tens que viver, mergulhar no fundo azul e deixa que água te envolva.
A verdade da tua saudade é descoberta quando fechas os olhos e as tuas memórias retornam a ti. Eu consigo ver o teu sorriso, eu consigo ver-te a correr sobre um mundo que desconheces, eu consigo sentir todo o poder da natureza ingénua de acreditar, eu consigo sentir o poder da amizade no teu espírito, eu consigo ver o brilho dos teus olhos! Eu acho que eles ainda brilham, eu acho que eles ainda me iluminam, eu acho que eles são o reflexo da luz que eu procurava!
Meu amigo, nada disto é teu e meu. Nós somos do mundo e não é o mundo que é nosso! Eu sou uma estranha nessa estrada. Acho que nunca vamos saber a verdade. Só sei que há coisas que não se esquecem, só sei que o destino nos leva para onde temos de ir. Quantas estradas teremos nós de andar para descobrirmos o sentido de tudo isto?
Quantos mares teremos nós de atravessar para escrevermos a verdade na areia?
Quantas vezes teremos que olhar o céu para saber qual é o seu verdadeiro destino?
A resposta está no tempo.
Até lá, vive!
Deixa a tua marca em todos os olhares que te encontrarem, em todos os lugares que te cruzarem, em todas as histórias que te contarem.
Nós vamos deixar o reflexo da nossa passagem dentro da água, dentro do mar, dentro dos jardins, dentro do tempo!
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